01/11/2003 Anos 40. A Europa vive o flagelo da II Guerra Mundial. Fome. Insegurança. Medo. Desespero. Dor. Famílias destruídas. Filhos órfãos de pais vivos. Barulho ensurdecedor de aviões e bombas. Mães que lutam bravamente para alimentar crianças que gostariam de parar o tempo, não crescer para não ir para a guerra. Este foi o cenário de infância de Gaetano Brancati Luigi, hoje assessor especial da presidência, da Associação Comercial de São Paulo. O homem que idealizou o Marco da Paz, inaugurado no dia 10 deste mês na Lapa, viveu aterrorizado até os oito anos de idade mas acalentando, como a maioria dos europeus, o sonho de vir para a América. O fim da guerra foi anunciado com o toque alegre dos sinos da Praça do Povo, na província de Orsomarso, em Nápoles, Itália. Adultos e crianças saíram às ruas, chorando de emoção, para comemorar o fim do martírio e a chegada de melhores dias. A música dos sinos, no entanto, continuaria ecoando na memória deste brasileiro que adotou São Paulo como sua pátria. O dia 10 de outubro de 2003 ficará marcado na história da Lapa como a data magna da inauguração do Marco da Paz, um chamamento à liberdade dos povos de todo o mundo idealizado pelo ex-superintendente da distrital Lapa da ACSP, Gaetano Brancati Luigi. No cruzamento da rua Mercedes com a avenida Brigadeiro Gavião Peixoto, dezenas de paulistas de todas as idades reuniram-se para cantar o Hino Nacional Brasileiro executado pela Banda Operária da Lapa e aplaudir uma obra simples na construção mas plena no significado. O Marco da Paz, fruto da parceria entre Associação Comercial de São Paulo, Saneterra Engenharia Civil, SBTEC Engenharia e Instalações e Fundição de sinos Crespi, é mais que a realização de uma só pessoa. O significado dos elementos que o compõem - uma pomba, um sino, um arco e a representação dos cinco continentes - traz à consciência dos homens a necessidade da manutenção da paz e a promessa de um mundo melhor para as gerações futuras. A inauguração do Marco foi uma festa cívica com a presença de alunos e alunas de várias escolas da região. Nicolas Pacheco, aluno do Colégio Módulo, lembrou a bomba atômica no Japão ao contar a lenda de um pássaro capaz de realizar desejos, para o qual uma criança, vítima da bomba, pediu a paz no mundo. Eloá Regina, aluna do Colégio Santo Ivo, recitou poesia de sua autoria lembrando que todos os homens e mulheres têm obrigação de lutar para que o sonho de paz se torne realidade. Muito emocionado, o idealizado do Marco agradeceu à Associação Comercial de São Paulo e às empresas que construíram seu sonho. Finalizou o discurso de agradecimento com uma poesia de sua autoria antes de explicar que a Lapa é a segunda localidade do mundo a inaugurar seu Marco da Paz. Antes dela, só o Pateo do Collegio recebeu tal honraria. O Marco está sendo construído na Argentina, no Paraguai no México e em Israel, na cidade de Nazaré.